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A quem interessa a narrativa do caos?

TRagora 4 anos ago

Quem não vive e não conhece a cidade de Jacobina, ou até mesmo quem se acostumou a ouvir apenas o rugir dos dinossauros radiofônicos das cercanias, certamente terá a pior das impressões sobre a realidade do município. Quase diariamente a população jacobinense é bombardeada com uma série de informações negativas, como se o município fosse uma terra arrasada onde apenas se produz uma desgraça atrás da outra.

É preciso perguntar: o que há por trás de toda essa narrativa do caos? E não é necessário muito esforço para encontrar respostas para a má vontade e o sentimento pessimista presentes nas linhas editoriais de algumas emissoras e blogues locais. Uma conclusão a que cheguei é que os “dinos” e donos desses veículos que se colocam como porta-vozes da catástrofe precisam alimentar o discurso do medo, da desesperança e da criminalização da política, para manterem o processo de manipulação de ouvintes, leitores e telespectadores.

Mas, principalmente, o rádio, que é um meio de comunicação centenário, bastante ouvido e com alta credibilidade junto à população, tem um papel fundamental na criação desse imaginário coletivo. Infelizmente, a radiodifusão é utilizada de maneira distorcida em relação ao seu caráter educativo e cultural. E essa distorção se agrava profundamente quando vemos emissoras de audiência relevante continuarem sob o controle de religiosos ou grupos políticos e empresariais alheios ao interesse público.

O rádio [ou qualquer outro meio de comunicação de massas] não pode continuar sendo usado como instrumento de barganha política ou financeira. Assim como não deve incentivar ou gerar mais conflitos sociais através da difusão e multiplicação de mentiras, de maneira intencional, para alienar e manipular os pensamentos da população, muitas vezes direcionando-a a apoiar opiniões frágeis e sem nenhum fundo de verdade.

Com a tecnologia cada vez mais acelerada, ao passo em que o processo cognitivo e a educação das pessoas não acompanham esse avanço tecnológico, é muito comum que as informações, mesmo distorcidas, sejam compartilhadas rapidamente gerando algo que passou a ser chamado de pós-verdade. Esse conceito é usado para denominar a informação distorcida deliberadamente, ou seja, quando se altera um fato real apelando para a emoção e a crença pessoal.

Voltando ao vale jurássico da comunicação jacobinense, nota-se que a “locutagem” e a “blogueiragem” se deixam contaminar pela retórica anticomunista, antipetista e da religiosidade de fachada para continuarem semeando a desesperança no meio do povo. A missão deles é não permitir que as boas-novas trazidas pelo Governo Lula calibrem a esperança dos brasileiros.
E Jacobina pode e deve ocupar um lugar especial neste novo cenário que se aproxima, por ser um município tricentenário, pujante, de tradição desenvolvimentista, com recursos naturais e humanos valorosos, e cujos ventos do progresso sopram favoravelmente, apesar do discurso malogro dessa gente tacanha.

O meu conforto, no entanto, vem do histórico desses arautos do caos, que, ultimamente, têm perdido as principais batalhas políticas em que tomam partido. Perderam a eleição municipal, assim como sentiram as derrotas de Bolsonaro e ACM Neto em 2022. E, portanto, restam a eles, [e aos seus financiadores] a Prefeitura como último bastião para que possam retomar a divisão do butim. É essa a razão pela qual combatem de maneira combinada a atual administração municipal.

E quanto mais se sentirem órfãos do poder, mais distorções e mentiras serão inventadas ao ponto de ficar quase impossível distinguir o que é verdade e o que é apenas uma estória. E elas virão, principalmente, dos discípulos de França, Lawinsky e Varela, com a devida vênia, tiranossauros e expoentes máximos da radiodifusão apelativa, arcaica e servil aos interesses patronais. Mas, a regra é clara: a informação se manifesta por meio de fatos reais e é isso que, de fato, interessa. O resto não passa de fofoca.

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