O prefeito da cidade baiana de Itamaraju, Marcelo Angênica (PSDB), impediu o governo do Estado de instalar 20 leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) para tratamento de casos do novo coronavírus no principal hospital do município. A estrutura seria implantada pela Secretaria Estadual de Saúde, que acusa o gestor de barrar técnicos da pasta que foram ao local.

Angênica diz que foi contra a instalação dos leitos porque o governador Rui Costa (PT) queria “impor” o fechamento do hospital para receber somente pacientes com covid-19. “Em nenhum momento recusei leitos de UTI em nossa cidade. Me posicionei contrário ao jeito que o governador queria impor em nosso município, fechando o nosso único hospital da cidade”, disse o prefeito, que é médico de formação.

Questionado pela reportagem, Angênica não respondeu se a negativa teria motivações políticas, uma vez que o PSDB faz oposição ao Partido dos Trabalhadores no estado.

Governo fala em “risco de morte”

Localizado no extremo sul da Bahia, Itamaraju contabilizava até a tarde deste sábado (11) um caso confirmado de covid-19 — são 21 mortes em todo o território baiano. A cidade tem atualmente 64 mil habitantes.

Em uma nota divulgada hoje, Rui Costa repudiou a atitude do prefeito. Segundo o governador, a implantação dos leitos no Hospital Geral de Itamaraju havia sido acertada na quinta-feira.

“Quando os técnicos da Sesab (Secretaria de Saúde do Estado da Bahia) chegaram ao local, para vistoriar a unidade, o prefeito voltou atrás na sua palavra e impediu que os leitos de UTI fossem montados. O hospital é uma das maiores unidades do extremo sul e está, em parte, ociosa”, relatou o governador.

No mesmo texto, o secretário estadual de Saúde, Fábio Vilas-Boas, fala em “risco de morte” em razão da ausência de estrutura adequada para o atendimento de eventuais demandas decorrentes da pandemia.

“Os pacientes acabam evoluindo dentro de 24 horas para necessidade de entubação, ventilação mecânica, sendo necessários equipamentos altamente qualificados como respiradores artificiais. Eu espero, com essa decisão que o prefeito tomou, de deixar a população exposta, sem acesso à UTI, sem acesso à ventilação mecânica, que o prefeito não precise se arrepender, caso pessoas venham a morrer no seu município nos próximos dias”, diz.

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