A disputa pela vaga de senador na chapa com que o PT deve tentar concorrer mais uma vez ao governo do Estado, em 2022, provavelmente sob a liderança do hoje senador Jaques Wagner, está na base dos desentendimentos registrados entre o PP e o PSD que ameaça o bem sucedido consórcio político que garantirá, naquele ano, o controle dos petistas sobre a máquina estadual há 16 anos.

O ruído teria começado a partir das demonstrações do senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, de que não pretende confrontar o projeto do PT de se perpetuar no governo do Estado, mas, para isso, não abriria mão de concorrer de novo ao Senado na chapa petista. A postura cria um desafio para Wagner manter o PP na chapa, porque o atual vice, João Leão, também deseja o posto.

Na verdade, como se reelegeu na condição de vice, Leão não pode mais disputar o cargo, restando-lhe apenas, como alternativa, a vaga de senador. A restrição imposta pela lei eleitoral se estende, inclusive, a seu filho, o deputado federal Cacá Leão (PP), que poderia pensar em colocar em seu lugar numa composição para viabilizar um acerto no caso de Otto não abrir mão da reeleição ao Senado.

A situação é desafiadora para o PT porque, se não conseguir convencer o presidente do PSD a deslocar seu interesse para a vaga de vice, o partido de Wagner pode se defrontar com uma decisão do PP de debandar para a oposição, campo liderado pelo hoje prefeito de Salvador ACM Neto (DEM), que deve disputar o governo encabeçando uma chapa com também duas vagas para negociar com aliados.

Mas não é apenas o PP que pode se rebelar. Nada impede que o próprio Otto, se for pressionado a abrir mão da reeleição, possa decidir marchar com Neto, abandonando o barco petista e fazendo valer a adjetivação de Centrão aplicada às duas legendas, que se caracterizam por se aliançar com quem está no poder ou então exibe as melhores chances de ganhá-lo numa disputa.

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