Ao mesmo tempo em que o centrão articula não derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal de prisão contra Daniel Silveira (PSL-RJ), o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), defende que o deputado bolsonarista seja “punido exemplarmente”, com suspensão ou cassação de mandato.

“A Mesa da Câmara já encaminhou ao Conselho de Ética uma denúncia formal, assinada pelos sete membros da Mesa. Acho que não pode ser nada menos do que suspensão. É de suspensão a cassação, dependendo da atitude daqui pra frente”, afirmou Ramos.

O vice-presidente da Câmara disse que os deputados irão esperar o resultado da audiência de custódia do deputado, na tarde desta quinta-feira, para que haja uma clareza maior sobre a posição a ser adotada.

“Minha opinião pessoal é a de que o Supremo tomou a medida que tinha que tomar em defesa da instituição, do Poder Judiciário, diante das gravíssimas declarações do deputado Daniel.”

“E que o deputado Daniel tem que ser punido exemplarmente, para a Câmara mostrar que não compactua com esse tipo de atitude”, acrescentou Ramos, ressalvando ter “sinceras dúvidas técnicas” se há como caracterizar o flagrante de crime inafiançável, como o fez o ministro Alexandre de Moraes (STF) ao ordem a prisão do deputado na última terça-feira (16).

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), tenta desde o início formar um acordo político com partidos e com integrantes do STF no sentido de que a prisão seja flexibilizada pela própria corte, com o compromisso de que o Conselho de Ética da Câmara faça um processo ágil no sentido de punir Silveira, com suspensão ou cassação, a depender da reação do deputado ao sair da prisão.

Dirigentes de ao menos três partidos do centrão passaram a defender com Lira que a Casa mantenha a prisão do deputado, mesmo que o STF não recue agora.

Segundo pessoas próximas a Lira, a expectativa é a de que o Supremo solte o deputado na semana que vem, após a confirmação da prisão pelo plenário da Câmara.

Nesta quinta, Lira disse ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que o sentimento na Casa é o de manter a decisão de prisão do bolsonarista.

A visão de deputados do centrão mudou ao longo do processo. Num primeiro momento, a reação era de corporativismo, num discurso em defesa da Câmara e da imunidade parlamentar.

No entanto, aliados de Lira passaram a ver a prisão de Silveira como uma reação excepcional do Supremo, entendendo que a decisão de Moraes foi um ponto fora da curva.

Assim, a medida adotada com o deputado do PSL não abriria brecha para que o STF passasse a ampliar o uso de mandados de prisão contra parlamentares.

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