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Supremacistas brancos usam Pantera Negra para defender nacionalismo étnico

TRagora 6 anos atrás

Supremacistas brancos estão usando o filme Pantera Negra para defender que Estados-nação devem ser organizados etnicamente. Uma imagem do personagem que circula em sites de extrema de direita – a do rei super-humano de Wakanda, nação imaginária da África – traz o Pantera Negra usando um chapéu com a inscrição “Tornar Wakanda grande de novo”, uma menção à campanha de Donald Trump, “Tornar a América grande de novo”.

A imagem foi postada pela primeira vez em junho, meses antes do lançamento do filme, com o título “Pantera Negra é de ultradireita”, uma referência ao movimento racista, antissemita e sexista que defende um Estado só de brancos. Eles afirmam que o super-herói negro é contra a imigração, a diversidade, a democracia e defende um nacionalismo étnico, uma descrição falsa dos temas centrais do filme, segundo pesquisadores do Data & Society, de Nova York.

Mensagens enganosas similares também apareceram no YouTube, no Twitter e na 4chan, plataforma anônima de mensagens online onde ativistas de extrema-direita trocam ideias e planejam campanhas de desinformação.

Segundo os pesquisadores, o caso marca uma nova estratégia online dos nacionalistas brancos. Em vez de se esquivarem de um fenômeno cultural que entra em conflito com sua ideologia, eles tentam subvertê-lo, esperando recrutar novos seguidores e propagar suas ideias. A campanha também mostra como esses grupos disseminam desinformação, transformam referências culturais em ideologia de ódio e ideias racistas.

A pesquisa revela os esforços dos conservadores para descrever o Pantera Negra como uma figura “antibrancos” em razão de o elenco ser formado por negros e de o filme exaltar a identidade africana.

O Pantera Negra e outros personagens também estão envolvidos com os EUA, onde parte do filme se desenvolve. Mas a maneira tradicional de retratar os africanos é invertida. Eles não necessitam da ajuda dos ocidentais brancos e ricos. Ao contrário, o super-herói e seu povo levam tecnologia avançada para um mundo que necessita muito disso tudo. Um dos poucos personagens brancos do filme, um oficial da CIA, é retratado como uma pessoa bem-intencionada, mas ineficaz.

Os nacionalistas brancos, buscando manipular o Pantera Negra, criaram hashtags no Twitter: #Wakandaisntreal e #OpenBordersforWakanda”. Outros têm ressaltado o número de judeus no elenco para fortalecer o argumento de que a mídia é controlada pela cabala judaica.

Uma personalidade do YouTube afirma que a ultradireita deve não apenas apoiar o filme, mas torná-lo viral nas redes sociais e comparecer em massa aos cinemas, mostrando solidariedade com o herói e seus valores. “Isso deve confundir, desorientar e desconcertar a extrema-esquerda”, afirmou o youtuber.

Em outras ocasiões, muitos conservadores se aproveitaram de um fenômeno cultural para denunciar conspirações liberais. Em dezembro, vários extremistas acusaram Star Wars, o Último Jedi de defender teses feministas.

No geral, Pantera Negra vem sendo elogiado como o primeiro filme de super-herói com um elenco negro e tem despertado entusiasmo nos EUA e na África. No entanto, o filme atrai também um enorme público além desses grupos, com um faturamento de mais de US$ 1,2 bilhão na semana de estreia.

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