A instalação de barracas em área pública urbana sempre foi um  problema  prejudicial à paisagem da Cidade. Como retirá-las é outro problema muito maior que exige habilidade, determinação firme e inadiável do  Gestor Municipal.

A exemplo de Salvador, onde barracas  viraram favelas no lugar conhecido como “Bico de  Ferro”, na orla do bairro nobre da Pituba,  extremamente prejudicial à paisagem da capital baiana. Para retirá-las foi muito difícil, após várias tentativas pelos meios pacíficos sem êxito, pelo que  o Prefeito de Salvador, Antonio Carlos Magalhães,  ordenou o uso de tratores que, em poucas horas, destruíram todas as referidas barracas  com todos os móveis e  os eletro – domésticos que ali se encontravam.

Em Jacobina, após a desativação da rede ferroviária nesta Cidade, no ano de 1974, começaram a surgir as primeiras barracas irregulares no  local  entre o  lugar conhecido como triangulo, onde o trem fazia as manobras, próximo ao bairro do Peru, até às proximidades da antiga Estação  da Leste, cujas barracas  foram erguidas  sem   Alvará de Licença da Prefeitura Municipal e  violavam as normas de vigilância sanitária, pela falta de higiene,  causando graves  problemas sociais naquele local.

As mencionadas barracas aumentaram muito nos anos seguintes, numa afronta à ordem pública pela participação de marginais armados oriundos de outros Estados, ali infiltrados, que comerciavam bebidas alcoólicas, drogas e maconha, servindo o local como pontos de prostituição e em algumas daquelas barracas serviam  como  moradias precárias no estilo  favela,  causando freqüentes reclamações do povo que pedia  providências às Autoridades competentes, porém sem solução a curto prazo.

Alguns meses após a posse do Dr. Carlos Daltro no cargo de Prefeito de Jacobina, ocorrida no ano de 1983, o mesmo tomou providências imediatas para a retirada de todas as referidas barracas, marcando o dia  e o horário para o cumprimento da sua Decisão, publicando-a  no Jornal A Palavra,  para  conhecimento de todos os barraqueiros, constando que haveria máquinas, caçambas e Servidores da Prefeitura do setor de limpeza pública, para a remoção das mencionadas barradas para dentro do Estádio Municipal José Rocha, bem como, foram solicitadas medidas de segurança  e de ordem pública  à Polícia Militar e à Guarda Municipal.

Por motivos estranhos, a Polícia Militar não compareceu no dia e horário determinados para a retirada das supracitadas barracas, para manter a segurança pública dos cidadãos. Coube, então,  ao  saudoso Capitão PM da reserva, João da Silva Maia, o dever de comandar  a Guarda Municipal para as medidas de segurança.

Alguns donos  de barracas estavam com armas de fogo, recusaram dialogar com os Servidores Municipais, fecharam as barracas para enfrentarem a quem  as abrisse, havendo ali, naquele momento,  uma situação muito tensa, de iminente  perigo de enfrentamentos de conseqüências imprevisíveis.

Naquele momento tenso,  alguns curiosos que estavam  defronte do Estado José Rocha, próximo das barracas, falavam alto e  usaram expressões provocadoras. Ali próximo, estava  o corajoso Capitão  João da Silva Maia que começou a fazer “ordem unida” com os seus comandados Guardas Municipais, preparando-os para manter a ordem na naquele  local público  no cumprimento dos seus deveres funcionais, tendo o Capitão Maia dito para mim: “Dr. Ary, eu vou enfrentar esses valentões, se eu morrer, diga  ao Dr. Carlito  que acabe de criar o meu filho”.

Graças a Deus,  apareceu naquele local tenso o saudoso Professor Lourival Martins, cidadão do bem,  hábil conciliador,  para  dialogar com  os donos das barracas laterais que demonstraram interesse à conciliação, sendo feito um acordo com eles e, em seguida, foi iniciado a remoção das barracas laterais  através de caçambas da Prefeitura, para dentro do Estádio Municipal José Rocha, mediante compromisso da Prefeitura Municipal de transportar suas barracas, posteriormente, para os seus endereços  que foram anotados, inclusive, também,  para transportar as barracas daqueles oriundos de outros Estados, através de caminhões pagos pela Prefeitura Municipal.

Com esta estratégica, somente restaram aqueles donos de barracas que recusaram o diálogo,  os quais ficaram isolados e, aos poucos, começaram a dialogar com o Professor Lourival Marins, tendo os mesmos concordado, também, com  a remoção das suas barracas nas mesmas condições dos demais barraqueiros, prevalecendo a paz, a ordem e o bom senso de todos, de relevante interesse público.

Com isso,  a Prefeitura Municipal assumiu o controle daquela extensa  área pública urbana  e realizou a limpeza da mesma.

Para a requalificação daquela extensa área pública urbana, foram retirados os trilhos da rede ferroviária  e  realizada  a demolição  da estação da leste.

                         Com isso, foram instalados naquele local o mercado  produtor e a parte externa da feira livre. Posteriormente, foram construídas ali importantes obras, tais como: o Ginásio de Esportes, a quadra esportiva externa,  o Campus Universitário da  UNEB  e a ACIJA  que lá se encontram de relevante interesse público, melhorando a  paisagem urbana  desta Cidade.

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