A prefeitura de Irecê emitiu nesta segunda-feira (18) uma nota para explicar o motivo pelo qual interrompeu, na última sexta-feira (15), uma pesquisa sobre o coronavírus realizada no município. A EPICOVID19-BR, coordenada Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), do Rio Grande do Sul, tem como objetivo realizar testes de Covid-19 em 133 cidades brasileiras. O estudo é realizado pelo Ibope Inteligência, com financiamento do Ministério da Saúde.
Em nota, a prefeitura afirma que não foi comunicada previamente sobre a pesquisa. A informação sobre o estudo só foi divulgada para a gestão municipal no domingo (17). Além disso, três entrevistadores testaram positivo para coronavírus. O material utilizado pelos pesquisadores foi apreendido e só devolvido posteriormente.
“O Governo do Estado foi imediatamente acionado por meio da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) e do Núcleo Regional de Saúde (DIRES), para averiguação e tomada de conhecimento da situação, considerando que a supervisora da pesquisa sinalizou que as autoridades foram comunicadas. Porém, todas as respostas obtidas sinalizaram que estes órgãos não tinham conhecimento sobre o estudo, não emitindo assim autorização prévia aos municípios. A Secretaria de Saúde de Irecê só recebeu uma comunicação sobre o início da pesquisa no domingo”, diz o texto.
A prefeitura reclama ainda que os entrevistadores não cumpriram uma quarentena de 14 dias antes de iniciar os trabalhos no município. Com a identificação de pesquisadores contaminados, foi exigida a relação completa de pessoas entrevistadas, com nome e endereço, para monitoramento.
“Imediatamente após o recebimento da relação de pessoas testadas, a Vigilância Epidemiológica do município iniciou o trabalho para investigação das que tiveram contato com os entrevistadores que tiveram positividade para a Covid-19. Foi confirmado que os entrevistadores usaram devidamente os equipamentos de proteção individual, o que se apresenta uma barreira para transmissão do vírus. No entanto, como medida cautelar, todas essas pessoas que participaram da pesquisa estão sendo monitoradas e serão testadas novamente para a Covid-19 após passados 10 dias do contato com os entrevistadores”, finaliza o texto da prefeitura.
Também por meio de nota, a UFPel criticou as ações de prefeituras que impediram o trabalho dos entrevistadores. No total, 75 municípios impuseram resistência na realização da pesquisa. Na Bahia, além de Irecê, as prefeituras de Guanambi, Juazeiro, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Paulo Afonso criaram obstáculos para a EPICOVID19-BR.
Segundo a UFPel, a informação sobre a realização da pesquisa foi enviada por ofício pelo Ministério da Saúde para os municípios na semana passada. A universidade também aponta que o estudo foi divulgado no site do Ministério.
“Por mais que a comunicação formal do Ministério da Saúde aos municípios possa ter chegado muito perto do início da coleta de dados, nada justifica o comportamento de “xerifes” assumido por alguns gestores municipais, que impedem ou atrapalham a realização de uma pesquisa que, com o perdão da repetição, pode ajudar a salvar a vida de milhares de brasileiros”, pontua a nota da universidade.
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