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Praga da Palma devasta plantações de palma na região de Jacobina

TRagora 3 anos ago

Uma praga tem preocupado os pequenos produtores rurais e ameaçado a segurança alimentar na região de Lages do Batata, distrito de Jacobina, Ourolândia, Umburanas, Morro do Chapéu e Várzea Nova. Trata-se da cochonilha do carmim, uma pequena praga de inseto que se alimenta da palma forrageira, enfraquecendo-a e eventualmente matando-a.

O inseto, que é de origem mexicana, tem um ciclo de vida de 90 dias que encontra na palma, a sua fonte alimentar. No sertão pernambucano e paraibano, a explosão populacional da praga tem provocado até 100% da morte das plantas. Na Bahia, desde 2017, há registros da praga na região de Jacobina, no distrito de Lages de Batata, e incidência maior ainda nas cidades de Ourolândia e Umburanas, segundo a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB).

Os especialistas do órgão foram entrevistados pela reportagem do TR e recomendam que os produtores recorram a várias estratégias de controle, que incluem o uso de inseticidas, a poda das plantas afetadas, mas principalmente, o desenvolvimento de variedades resistentes à cochonilha.

“Ela não é prejudicial aos animais, nem aos seres humanos. Ela é prejudicial para a palma. Nós temos produtos para controle, mas isso só, não é suficiente. O que sugerimos como principal alternativa é o plantio de variedades da palma resistentes ao inseto como a palma doce, a palma miúda, a palma baiana, ou a palma moça, que não tem espinhos. Temos orientado nesse sentido, para contermos o avanço da praga cochonilha”, afirmou João Neto, fiscal da ADAB.

De acordo com o Albanyr Lopes, fiscal da ADAB e Coordenador do Programa de Prevenção da Praga, o órgão desenvolve um trabalho junto às comunidades rurais para conter a disseminação da praga, com palestras, consultoria in loco e doação de outros tipos da palma resistentes ao inseto.

“Nosso trabalho é de conter o avanço dessa praga. E trabalhamos com palestras educacionais, doação de raquetes de outras espécies de palma, mas pedimos a colaboração dos pequenos agricultores. Contenham, tome providências pra que a gente impeça o avanço dela”, afirmou.

Além das perdas econômicas, a praga da palma também tem impactos diretos na segurança alimentar da região. A palma é uma fonte vital de alimento para o gado, e a redução na disponibilidade desse recurso pode resultar em escassez de carne e leite, o que afetaria a dieta das comunidades locais.

Outro fato que preocupa é o fenômeno climático El Niño, que causa secas prolongadas no Nordeste, limitando os regimes de chuvas ainda mais. Com o avanço do El Niño e aumento populacional da praga, as chances de faltar reserva alimentar são enormes e preocupam os especialistas:

“Vamos ter impactos com a seca provocados pelo El Niño, por isso, é importante cuidarmos da palma, que é uma fonte de reserva alimentar de extrema importância para o caprino e o bovino. É essencial garantir a segurança alimentar e econômica da região, contendo o avanço da cochonilha, pra passarmos pelo El Niño com mais tranquilidade”, afirmou João Neto, engenheiro agrônomo e fiscal do órgão.

Por Rafhael Nobre