Foto: Bené Pereira/ TRagora.

 

Ricardo José das Mercês, 51 anos, é natural de Várzea do Poço-BA, um dos sete filhos de Sr. Jovino Barbosa e Dona Josefa Anacleta da Silva, é cantor e compositor, aclamado em Jacobina e região. Iniciou carreira musical aos 17 anos tocando na faculdade onde estudava, e em barzinhos, tornando-se conhecido depois que foi vencedor de diversos festivais locais e regionais com a música autoral “Povo do Sertanejo”, e de gravar um disco de vinil juntamente com diversos artistas famosos, como parte da premiação do festival.

Marcleide Gomes Silva Mercês, 39 anos, é natural de Miguel Calmon-BA, uma dentre os cinco filhos de dona Marilene Gomes da Silva e Sr. Miguel Izabel Ferreira da Silva. Iniciou carreira musical aos 17 anos, cantando em barzinhos. Encantou ao público cantando nos trios em diversas micaretas de Jacobina, cantou na Banda 100 Parea e fez participações em CDs e DVDs com artistas locais e regionais.   Em 1997, Ricardo e Marcleide se conheceram, começaram a tocar juntos e logo depois se uniram em matrimônio, e formaram dupla “Ricardo Mercês e Marcleide Mercês”, fortalecendo ainda mais suas paixões e a carreira artística. Os artistas que se consolidaram na música, encantando ao público com suas canções românticas e estilo próprio, concedeu entrevista ao Tribuna Regional e falou sobre a carreira, desafios e as emoções vividas ao longo dos 22 anos de dupla.

Foto: Bené Pereira/TRagora.

 

TR – Ricardo e Marcleide, conte-nos um pouco sobre suas histórias de vida e como ingressaram na música?

Marcleide – Quando cheguei a Jacobina, Ricardo já cantava em barzinhos, já tinha um nome regionalmente conhecido, já tinha tocado em várias cidades a exemplo de Salvador e Vitoria da Conquista. Em 1997 a gente se conheceu, acabou se casando, daí surgiu a dupla, pois naquela época eu também já cantava.

Ricardo – Aprendi a tocar violão na igreja, ainda muito jovem. Toquei em diversos barzinhos tradicionais de Jacobina, como no 15 de Novembro, Apetite aqui na Matriz onde hoje em dia é o Bel Pastel, no Solar da Missão, Chateu e muitos outros bares, fazendo voz e violão. Me recordo que o primeiro bar que toquei em Jacobina, foi no Bar do Careca. Toquei junto com artistas da terra como Canindé, Tarcísio, Jeremias Brasil, Domingo Sávio, Val Verdes Mares, dentre outros.

TR – Como foram seus primeiros acordes? tiveram influência de alguém para seguir a carreira musical?

Ricardo – Eu comecei muito cedo, com meus 18 pra 19 anos eu fui estudar na Escola Agro Técnica Federal de Catu. Naquele tempo, a situação financeira de meus pais era muito difícil, o dinheiro que eles mandavam, não dava para as despesas, foi aí que comecei a fazer voz e violão naquela cidade, como lazer e fonte de renda também. Nos finais de semana, dormia na casa de amigos, pois saia tarde dos bares em que tocava.

Marcleide – Eu tinha um tio boêmio que era proprietário de um bar, ele tinha instrumentos, caixa de som, sempre teve violão guitarra, e isso serviu de influência. Comecei a cantar desde criança, pode se dizer que eu era boêmia junto com ele, lembro que ele me deu até um violão. Quando eu conheci Ricardo ele já vivia da música, não deu outra, comecei ajudá-lo, nos shows, até virar uma atividade permanente.

TR – Qual o estilo de música da dupla e principais temas de suas composições?

Ricardo- Eu parei de compor. Na época dos antigos festivais eu ainda escrevia. Brinco dizendo que quando estava compondo uma música eu só queria protestar, no entanto, a gente precisava falar de amor, de coisas positivas. A mensagem que a música leva tem que ser por esse lado, então parei de compor por isso. Meu estilo é canções românticas, seresta, o estilo regional.

Marcleide – Não componho canções, tenho preferência em regravar canções de colegas e amigos. Meu estilo é mais eclético, forró, arrocha, sertanejo e axé, mas prefiro cantar músicas com letras românticas. E unimos o meu estilo ao de Ricardo para fazer nosso trabalho, e deu certo.

TR – Tem algum artista no qual vocês se inspiraram ou que influenciou o estilo e carreira da dupla?

Marcleide – Como dupla temos uma identidade própria, não há um artista que a gente se inspira, mas tenho influência do Axé. A Ivete Sangalo, por exemplo, é um ícone e uma referência, não só pra mim, mas para o Brasil inteiro.

Ricardo – Foi a espontaneidade que fez acontecer.  Hoje em dia o cantor não pode cantar só o que gosta, ele tem que cantar para agradar quem vai ouvir, geralmente as músicas mais tocadas do momento, porém sempre buscamos ter um certo cuidado com nosso repertório.

 

TR – Qual o fato ou um show mais marcante em sua trajetória?

Marcleide – Os shows realizados nos carnavais de Goiás, nas cidades de Iporá e Morrinhos, nos marcaram muito. Não voltamos mais nestes lugares por problemas contratuais e intermediários, mas o show que marcou muito foi a festa que me escolheram como a mulher do ano, na Festa da Mulher 2016 em Jacobina.

Ricardo- Foram vários, não lembro assim de nenhum. Mas, lembro do um que me marcou negativamente, na época eu tocava sozinho, e estava tocando em Feira de Santana, perto do Jornal Feira Hoje, quando ocorreu um assalto durante meu show. Isso foi assustador.

TR – Qual a opinião de vocês sobre a pirataria e de que forma ela impacta no sucesso musical?

Marcelide – Como não somos artista de gravadora, que visam vender o CD, eu não posso dizer que a pirataria é ruim pra gente, porque ela divulga. A pirataria leva o artista a lugares que ele nunca imaginou que pudesse chegar.

Ricardo- O artista pobre precisa da pirataria, o artista rico precisa detestar a pirataria, porque a pirataria invade o espaço comercial do artista que tem contrato com a gravadora, e a gravadora ganha vendendo CD, então para os artistas maiores é péssimo, mas, para o artista pouco conhecido a pirataria caiu do céu. Mas hoje quase não vende CD, a música é mais promocional.

TR – Quais as principais dificuldades que vocês enfrentaram ao logo da carreira?

Ricardo- Em Salvador, moramos lá uma época, muito sofrido, porque tínhamos despesas altas. Teve um período que estávamos tocando de segunda a segunda, e não sobrava dinheiro.

Marcleide – A nossa dificuldade, e acredito que dos demais artistas locais, é a falta de uma produtora aqui em Jacobina. Pois, o município dispõe um grande acervo musical, porém a cidade não tem uma produtora, um empresário ou escritório, que queira levar de fato o nome do artista de Jacobina lá fora, é a gente mesmo que fica fazendo isto.

TR – Quais são os projetos futuros da dupla?

Marcleide – Vamos lançar dois vídeos clipes, em breve, com músicas inéditas, que já estão gravadas, já estão prontas. A proposta é lançar como uma forma de divulgar e se manter no mercado e daí, quem sabe no próximo ano, a gente consiga desenvolver um DVD.

TR – O trabalho de vocês é muito apreciado em Jacobina e região? Faz sucesso também em outros estados? Qual o segredo do sucesso?

Marcleide – Sim. Aqui fomos muito bem acolhidos, tocamos em muitos barzinhos, festas, micaretas. Ultimamente, a gente teve uma pequena mudança no repertório, aceitando também outras propostas, como animação de casamentos, aniversários, festas particulares. Somos muito agradecidos a Jacobina, seja em festa de bar, festa em rua, a prefeitura nunca deixa de contratar, sempre que pode.

Ricardo – Sim. Somos apreciados nas cidades da região, sempre tocamos em Várzea do Poço, Várzea da Roça, Lapão, São Gabriel em Mairi, e Chapada Diamantina. Mas reforçando a sua pergunta, Jacobina tem valorizado bastante nosso trabalho. O segredo é a originalidade.

TR – Qual mensagem vocês deixam aos leitores do TR e aos cantores que estão iniciando carreira artística?

Ricardo – Perseverança, insistência, procurar se manter no mercado com qualidade e se capacitarem, que façam seu trabalho com responsabilidade. Aos leitores do Tribuna, eu acredito que leitura é muito. Se você é um bom leitor e se manter informado, com certeza você vai ter opinião e conhecimento em variados assuntos e isso vai te levar para um bom caminho.

Marcleide – Vou deixar nossos agradecimentos ao público em geral, por nos ter acolhido, por nos manter no mercado, em Jacobina e toda região. Aos artistas deixo mensagem de perseverança, otimismo, que busquem sempre se aperfeiçoar para dar o melhor nos seus shows.

 

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Confira CD gravado pela dupla:

 

 

 

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