“Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar”

Foi ao coro desta música e ao som do pandeiro da multiartista Aurivone Ferreira, que em um ato coletivo, os/as participantes do I seminário de Educação Contextualizada ao Semiárido ecoaram palavras imperativas e de esperançar, a saber: luta e resistência, educação do campo e no campo, comida saudável, agroecologia, democracia plena, educação da diversidade, entre outras palavras ressoadas em convergência com a pauta do evento, que aconteceu no auditório do Comuja de Jacobina no último dia 25/04.

Realizado pelo Fórum Permanente Agroecológico de Jacobina, em parceria com o poder público, reuniu professores/as, gestores e coordenação pedagógicas da rede pública municipal, lideranças comunitárias e representantes de associações rurais e organizações da sociedade civil, o prefeito Tiago Dias (PCdoB), a secretária da Educação Alexsandra Cruz, e Nilde Oliveira, diretora de planejamento e desenvolvimento rural da Secretaria Municipal da Agricultura.

A programação contou com palestra da professora Ivânia Paula Freitas, mestra e doutora em Educação pela UFBA, que elucidou reflexões importantes sobre a construção da BNCC e suas intenções políticas e econômicas. “A quem serve o currículo da educação brasileira se ela não reflete as necessidades e direitos da classe trabalhadora? Não existe neutralidade na educação, existe sempre uma intencionalidade. As escolas precisam entender que os currículos devem assumir um papel complementar ao da BNCC e não se render apenas a este instrumento de controle. Entender a responsabilidade da escola, das entidades e das populações para assegurar as aprendizagens essenciais em um currículo que deve ser movimento, ação”, refletiu a professora.

O seminário incluiu também a participação de jovens estudantes de Escolas Famílias Agrícolas, que falaram sobre os desafios e as desigualdades de condições que enfrentam para estudar, como o pouco acesso à internet, tecnologia, transporte, dentre outros, e com depoimento de dona Antonieta, da associação de Velame sobre a desativação da escola rural da comunidade e o processo de mobilização das famílias em defesa de sua permanência.

“Precisamos pensar numa educação plural no município, a partir da articulação e parcerias das instituições, a exemplo da UNEB, junto ao associativismo, ao cooperativismo de modo que incorpore a Educação Contextualizada ao Semiárido aos currículos, não como  imposição, mas dar possibilidades e romper com o conformismo”, destacou Nilde Oliveira.

A partir do debate ficou encaminhado, para cada um/uma dos presentes, o compromisso de promover a discussão da Educação Contextualizada ao Semiárido nas escolas e junto às suas comunidades; fazer uma cartografia das associações, cooperativas, comunidades rurais, comunidades de povos originários, quilombolas e a sua relação com a terra e um diagnóstico dos seus desafios e necessidades educacionais; e coletivamente, dialogar com a Câmara de Vereadores para dar suporte na construção do Plano Municipal de Educação Contextualizada ao Semiárido e instituição de uma coordenação específica para essa pauta dentro da SEMEC.

O evento também se foi um importante espaço de reflexão e ato político em defesa do Semiárido e de uma educação que reflita seus desafios, potencialidades e diversidades. “O Semiárido não se restringe a um lugar inóspito e seco. Suas populações têm o direito a investimentos não somente em infraestrutura para produzir alimentos para a cidade, mas também no acesso à educação e escolas de qualidade no campo que funcionem como laboratórios capazes de trazer soluções para os problemas do povo e das comunidades e assim aumentar suas perspectivas,” concluiu Robson Aglayton, coordenador técnico de ATER da Cofaspi.

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