Foto: Memorial pe. Alfredo./Ediane Bispo – TRagora.

 

Memorial Padre Alfredo Haasler corre risco de ser retirado de Jacobina para o museu do Mosteiro de Jequtibá.

(Por Ediane Bispo – TRagora)

O Memorial Padre Alfredo Haasler, importante patrimônio cultural e religioso de Jacobina, corre o risco de ser transferido para o museu de Jequitibá, em função da dificuldades de funcionamento que tem enfrentado pela falta de recursos para sua manutenção.

O memorial foi fundado em 27 de fevereiro de 2016, através da união de religiosos que conviveram com o padre, juntamente aos esforços de inúmeros jacobinenses e do Padre José Herenberger, com o objetivo de oferecer conhecimento, cultura e promover o resgate da história e preservação da memória do líder religioso que tem relevantes serviços prestados em Jacobina e toda região.

O memorial oferece em seu acervo objetos sacros, fotos, roupas, presentes dos pais, dentre outros pertences do padre, além de CDs, DVDs e livros sobre sua história. Recentemente foi inserido no roteiro turístico de Jacobina por iniciativa da Secretaria Municipal de Educação e Cultura e Diretoria de Turismo.

De acordo com Glória Pinho, secretária da instituição, desde a abertura do memorial, foi firmado um acordo com a prefeitura municipal, e segundo o regimento instituído, o poder público deve repassar mensalmente um valor para ajudar na manutenção. “Em 2017, a prefeitura repassava R$1.913,73, com esse valor funcionávamos com dificuldades mas, dava para custear as despesas fixas. Neste ano de 2018, esse valor foi reduzido, para R$1.531,00, e redução essa que dificultou muito, pois não é suficiente para cobrir as despesas”, disse Glória.

Foto: Colaboradoras e irmãs visitando ao museu.

Glória informou ainda que a diretoria já buscou apoio financeiro junto a outras entidades, a quem poderiam ajudar na manutenção do memorial.

“Já solicitamos ajuda a Divina Pastora, mas esta também passa por grandes dificuldades financeiras, agravadas ainda mais pelos cortes do governo federal para essa área de cultura, que afetou os museus também, e não pôde nos ajudar. Já recorremos as paróquias locais, mas também não obtivemos respostas. Sem recursos, o acervo poderá ser levado para o museu do Mosteiro de Jequitibá – município de Mundo Novo/BA, pois lá eles terão a condição de gerir. Fico triste em pensar que podemos perder esse bem tão importante para a cultura e religiosidade de Jacobina, e peço ajuda a quem puder nos ajudar”, desabafou Glória.

O memorial funciona num espaço cedido pela Fundação Educativa Popular Padre Alfredo Haasler e José Assis dos Santos Reis – FEPPAHJA, porém não exerce responsabilidade institucional e financeira. Tem sido uma grande parceira do memorial, cedendo um espaço, dispensando inclusive taxas de aluguel, custos com água e telefone.

A administração financeira e institucional do memorial é de responsabilidade da Fundação Divina Pastora do Mosteiro Jequitibá/BA, e se mantêm com recursos oriundos de uma parceria com o poder público municipal, da venda de artigos personalizados ou relacionados a história do padre Alfredo, como chaveiros, DVDs, livros, e de doações de fieis católicos e apoiadores da sociedade em geral. A entidade disponibiliza um carnê para os interessados em fazer as doações. Os recursos financeiros adquiridos, são destinados a pagamento de funcionárias, conta de energia e materiais de limpeza.

Segundo informações da recepcionista Daneila Gomes, o memorial tem recebido visitas de escolas de diversos municípios como Irecê, Morro do Chapéu, Capim Grosso, Senhor do Bonfim, Quixabeira, dentre outras, e de escolas da rede privada local. Porém pouco tem sido visitado pela população de Jacobina e pelas escolas municipais.

“Sentimos que ainda falta muito a visitação da sociedade em geral, e principalmente o incentivo da Secretaria da Educação para trazer os estudantes. Este espaço tem muito o que ensinar aos alunos. É cultura, é memória, é conhecimento histórico também. Para você ter uma noção, em quase dois anos de funcionamento, recebemos visitas de apenas duas escolas municipais. É mais apreciado por escolas e pessoas de outras cidades”, disse Daneila.

Padre Alfredo Haasler era austríaco, em 1938, aos 31 anos de idade, deixou sua terra natal e veio para Jacobina fazer seu trabalho de evangelização, onde cumpriu sua missão por quase 60 anos, vindo mais tarde a ser conhecido como missionário do sertão. Fundou 45 escolas paroquiais em toda região de Jacobina, sendo a primeira foi fundada em 1939 no povoado de Tabúa, município de Várzea Nova. Por toda sua história de evangelização e de luta em favor dos pobres, o memorial se faz uma justa homenagem ao padre.

“A gente sempre se emociona e aprende muito com pessoas que vem visitar e conta histórias vividas com Padre Alfredo, testemunhos de fé, de pessoas que foram ajudadas por ele. Recentemente veio um homem e nos contou que, quando criança, sua família era muito pobre, passava fome, enfrentou a desnutrição, e foi curado por Padre Alfredo e hoje é doutor”. Esse homem fez história, as pessoas precisam conhecer e não deixá-lo fechar”, disse Daneila Gomes.

O Memorial Padre Alfredo Haasler fica situado no Caminho das Árvores – Rua Treze de Maio, bairro Serrinha – Jacobina/BA, e estar aberto para visitações às quartas, quintas e sextas-feiras das 8h as 11h e das 14h as 16h.

 

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Sobre o Autor

Ex-vereador e Ex-presidente da Câmara de Vereadores de Jacobina, Carlos de Deus é formado em Administração de Empresas pela Universidade Norte do Paraná. Diretor-presidente do jornal Tribuna Regional e do site TrAgora.

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