Uma equipe do jornal A Tarde visitou Itaitu e descreveu sua experiência em matéria publicada nesta segunda-feira. Confira: 

Vista do alto do Pico do Jaraguá

O pequeno vilarejo de Itaitu, distrito da cidade de Jacobina, é um daqueles lugares pacatos. Moradores sentados na frente de casa. Um ou dois mercadinhos, leite de vaca entregue na porta e uma pracinha, com árvores e uma igrejinha charmosa. A 352 quilômetros de Salvador, ainda se pode dormir de porta aberta. É o que dizem alguns moradores.
Além de toda a calmaria, ao redor da vila, que faz parte da Chapada Diamantina, o viajante pode encontrar muitas trilhas e, como recompensa, cachoeiras com água gelada revigorante e quedas d’água de até 80 metros de altura.
Com apenas 800 habitantes nativos, Itaitu fica no norte da Chapada Diamantina. Uma serra, que, ao olho nu, parece infinita, emoldura o lugarejo que, à noite, tem aquele friozinho de cidade do interior. Não é como a badalada Lençóis, que é muito mais procurada.
Chegamos nas primeiras horas da manhã, numa pracinha ainda enfeitada para o Natal, arrodeada de casinhas coloridas. O sol ainda começava a raiar, ao som do canto de muitas andorinhas que voavam em bando e com neblina nas serras.
Optamos por acampar, mas há algumas pousadas pequenas para quem preferir. Nosso camping ficava quase aos pés da serra, com banheiro e cozinha. Por termos decidido viajar em cima da hora, decidimos ir com uma agência de turismo local e o pacote incluía a barraca e a montagem dela.
O principal benefício de pacotes como este é não ter que se preocupar, por exemplo, com os deslocamentos. No entanto, a pessoa fica limitada aos horários da agência.
Barraca organizada, seguimos a pé da praça para a primeira trilha. Leve, a caminhada é feita por uma estrada de barro, paralela à serra, saindo da vila. Primeiro, paramos na cachoeira do Coxinho. Uma queda d’água pequena, mas com um pequeno poço bom pra banho. Um lugar ideal para fazer um piquenique.
Ao seguir na trilha, há a Cachoeira do Piancó. Sua queda d’água de 45 metros rende excelentes fotos. Dá até para recorrer ao clichê e fazer aquela pose em que parece que a gente bebe a água da cachoeira. A descida para o poço requer cuidado por causa das pedras, mas ficar embaixo da queda d’água compensa e parece levar todo o estresse e cansaço acumulados no ano.
À tarde, uma opção é conhecer a Reserva Arapongas, uma área extensa de Mata Atlântica protegida na região. A trilha dentro da mata reduz a temperatura, o que ajuda na curta caminhada. Dentro da reserva, pode-se tomar banho no Poço da Geladeira, de águas caudalosas. Nadar nele parece mais difícil que nos outros lugares. Na parte de cima, há outro poço de água vermelha e uma segunda cachoeira com o mesmo nome da reserva.
Além das mais de 40 cachoeiras que dizem ter na região, outra opção é curtir a vila. Na praça, o viajante pode encontrar alguns restaurantes, lanchonete aconchegante com aquele café feito na hora como a de Dona Vânia e mercadinho para qualquer necessidade.
Esse é o máximo de estrutura que se pode encontrar lá. Não há, por exemplo, guias oferecendo seus serviços, como costuma ter em Lençóis.
Jacobina
No segundo dia, pegamos a estrada de barro de 22 quilômetros que dá acesso à vila e fomos para Jacobina – daqueles trechos com pedras que pedem velocidade reduzida.
Após uma parada no letreiro do nome da cidade com altos morros ao fundo, fomos de carro e com um guia para o início da trilha do Pico do Jaraguá, um morro alto que oferece uma vista fascinante da cadeia de morros da região e de parte da cidade. A trilha é tranquila. A maior parte dentro da mata, mas é subida e requer certo esforço. Antes do pico de fato, há um mirante facilmente identificável, quando a mata se abre e se pode ter uma visão ampla da região.
De lá, fomos conhecer a Cachoeira dos Amores. Fomos de carro até o início da trilha que fica próxima ao pico do Jaraguá. A trilha é média, com subidas, mas a cachoeira vale a pena, uma das mais bonitas da região. Na volta, o guia sugeriu uma trilha pelo cânion para a Cachoeira do Brito. Um pouco mais difícil, ela requer esforço físico.
No terceiro dia, fomos conhecer a atração mais famosa da região: a Cachoeira Véu de Noiva. A queda d’água de 64 metros impressiona. A trilha é de fácil acesso e curta e, para quem curte, ainda se pode fazer rapel. O poço, um dos maiores da região, é excelente para o banho. Dá vontade de passar o dia inteiro ali.
Por fim, voltamos à cachoeira Véu de Noiva para tomar banho nos poços que ficam no seu topo. No que fica localizado na ponta da cachoeira, a sensação é de estar tomando banho numa piscina de borda infinita natural, com uma vista da vegetação e morros de tirar o fôlego, mas que faz a gente recobrar toda a energia..
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Sobre o Autor

Ex-vereador e Ex-presidente da Câmara de Vereadores de Jacobina, Carlos de Deus é formado em Administração de Empresas pela Universidade Norte do Paraná. Diretor-presidente do jornal Tribuna Regional e do site TrAgora.

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