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ESCRAVOS?

TRagora 5 anos atrás

 

ESCRAVOS?

Por Angel Rosa.

Passou a euforia. Baixou a poeira. Secou a empolgação. A realidade visceral se exibe à frente do brasileiro que, em maioria, fez do voto arma de revolta contra fatos, bem verdade, mas também contra o que ele nem sabe dizer ao certo.
Esse ódio ao PT poderia ser a outro partido supostamente responsável pelos problemas do país. Só que sabemos agora mais claramente que o ódio não é bom conselheiro.
A razão é boa conselheira. Mas nem sempre ouvida.
Assim, queboa parte dos brasileiros trabalhadoresse depararão logo no início do novo governo com a tal reforma da Previdência.
E essa reforma feita por um governo dito liberal dificilmente deverá agradar a quem está na base da pirâmide.
Um governo liberal, afinal, é defensor ferrenho de empresas, do deus mercado. E ao que parece há diversas delas que querem o estado fora da questão previdenciária com a intenção de torná-la o mais privada possível .
Um outro fator é o alongamento do tempo de trabalho. À exceção de políticos, aposentados com dois mandatos, a maior parte da população terá de trabalhar até os setenta anos e curtir sua aposentadoria talvez no cemitério.
A corda arrebenta sempre do lado de quem menos pensa.
No mar de descontrole das contas públicas os governantes “bem intencionados” não pensam em organizá-las. Pensam em punir ao povo de formas as mais sórdidas à mão.
Então, o povo que colou o adesivo do novo presidente na testa pode iniciar um 2019 bem indigesto e com dores. Até no estômago.
Para pagar a conta da irresponsabilidade governamental trabalhará feito escravo. Falo de povo, não daquela camada superior que vai correr para a previdência privada.
Falo do povo que depende de uma previdência mas vota em um governo que pretende logo, de início, reformá-la, muito provavelmente em prejuízo daquele e sem tocar em privilégios de castas tacitamente aceitas como superiores, como os militares, por exemplo. Há casos de mulheres filhas de militares, que não casaram oficialmente para manter benefícios herdados há séculos. Uma solteirice muito bem remunerada e oportunista.
Os trabalhadores que votaram no novo governo podem tomar um choque quando descobrirem que direitos serão estraçalhados. Embora a Constituição seja clara, sempre há meios paralelos de botar grávidas para trabalhar em instalações insalubres, por exemplo, ou de retirar décimo terceiro e outros benefícios, pois a “classe inferior” precisa perder “privilégios”. Para isso há os acordos patrão/empregado. Objetivos. Diretos. Eficientes. E em prejuízo da parte mais fraca. Sempre.
Pode ser que mexam com o SUS, outro exemplo, e a população que hoje tem à disposição até UTIs aéreas volte a ser levada a hospitais em carrinhos de mão.
Pode ser que nossos alunos jovens que, embora pobres, defenderam durante a campanha o ensino privado descubram que não há mais merenda, professor, transporte escolar, escola gratuita. Tudo o que era devolvido em troca de impostos transforma-se agora em negócio para um estado ávido em se tornar “leve” e voar.
Mas pode ser que eu esteja enganado e o paraíso na terra inicie em 2019. É o que acreditam muitos que agem como fiéis de alguma seita. Eu até espero, pois torço pelo Brasil, embora descreia.
Talvez porque não tenha fé suficientemente igual àquele ex-senador que puxou uma oração fervorosa, ao vivo, transmitida pelas redes de tv e internet, acompanhado por um presidente eleito e seus assessores compungidos, justo no momento que sobe ao cargo alguém que governará supostamente um país no qual o estado é laico.
Mas deve ser algum mal em mim essa descrença toda. E para esse suposto mal, rezo: “Senhor, quero crer, mas aumenta a minha fé.”

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