O ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, comentou nesta sexta-feira (13) o rompimento político do deputado estadual Fabrício Pancadinha (Solidariedade), que decidiu deixar a oposição na Assembleia Legislativa da Bahia e se declarar aliado do governador Jerônimo Rodrigues (PT). A decisão foi tomada sem qualquer comunicação prévia a Neto, que havia apoiado Pancadinha tanto em sua eleição como deputado estadual, em 2022, quanto em sua candidatura a prefeito de Itabuna, em 2024.
Em entrevista durante os festejos do Arraiá de Ilhéus, ACM Neto lembrou o esforço dedicado à construção da trajetória política do Pancadinha, e lamentou a postura adotada agora pelo parlamentar.
“Quem pode responder melhor a essa pergunta é a população de Itabuna, que acompanhou de pé todo o meu compromisso, todo o meu apoio, toda a minha dedicação sincera e de coração ao deputado Pancadinha. Pancadinha era vereador em Itabuna, muitos não acreditaram na eleição dele a deputado, eu o abracei, fui com ele, com os guetos, com as comunidades, estive presente ao lado dele, mostrei que a candidatura dele era viável, e ele venceu as eleições”, afirmou Neto.
O líder do União Brasil lembrou ainda que, mesmo diante de um cenário disputado, ele manteve sua palavra e bancou a candidatura de Pancadinha a prefeito, enfrentando resistências internas e abrindo espaço para aliados de outras siglas, inclusive da base petista, no intuito de fortalecer o projeto político.
“Foi uma escolha difícil, porque havia nomes competitivos como Capitão Azevedo, do meu partido, e o Dr. Isaac, do PDT. Muitos diziam que Pancadinha não teria vez. Mas eu disse: nós vamos juntos. Vencemos preconceitos e mostramos que era possível. Assumi os ônus de apoiar Pancadinha e fui até o fim com ele”, destacou.
Neto também frisou que a União Brasil, mesmo fora da chapa majoritária, contribuiu com recursos e estrutura para a campanha de Pancadinha. Após a derrota nas urnas, segundo ele, foi momento de aprendizado e firmeza.
“Eu perdi uma eleição, mas não perdi minha dignidade, meus princípios, meus valores. Me mantive firme porque acredito em coerência. A vida não é feita só de vitórias. Há momentos que nos ensinam a seguir adiante com mais sabedoria”, disse.
O ex-prefeito criticou o movimento de adesão ao governo do estado, sem mencionar nomes, mas sinalizando que esse tipo de prática representa a política que a Bahia precisa superar.
“Esperava dele algo diferente. Não a velha política da adesão, do estou com o governo porque ganhei uma carga ou um benefício. Eu estou há quase 20 anos na oposição por exclusão. E sei que vai chegar a hora de virar esse jogo, com coerência, trabalho e respeito ao povo.”


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