A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, votou nesta quarta-feira (14) para considerar o orçamento secreto inconstitucional.
Para ela, o pagamento das emendas parlamentares de relator, nome técnico do orçamento secreto, é “recoberto por um manto de névoas”.
“O modelo em prática viola o princípio republicano e transgride os postulados informadores do regime de transparência dos recursos financeiros do estado”, afirmou.
Rosa Weber é relatora de ações que contestam a regularidade dessas emendas e apontam suposta afronta à Constituição.
Ela considerou que as mudanças promovidas pelo Congresso foram insuficientes para garantir transparência às emendas.
“Não foram cumpridas as determinações emanadas desta Corte.”
A ministra foi a primeira e a única a votar até agora. A sessão desta quarta foi encerrada, e o julgamento deve ser retomado nos próximos dias.
Ações contra o orçamento secreto
As ações foram apresentados pelos partidos Rede, PSB e Cidadania, de oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Alegam que:
- o orçamento secreto não tem critérios claros sobre a distribuição das emendas
- a identificação dos parlamentares agraciados com a verba é imprecisa
- a fiscalização da aplicação é pouco transparente
O que está em jogo
Partidos de oposição ao governo Jair Bolsonaro (PL) – PSOL, Cidadania e PSB – querem que o orçamento secreto seja declarado inconstitucional. A análise teve início na semana passada, mas nenhum voto havia sido proferido.
- orçamento secreto foi o nome informalmente dado às emendas parlamentares, recursos repassados aos estados sem critérios claros ou transparência
em novembro de 2021, Rosa Weber suspendeu temporariamente esses pagamentos e determinou que o Congresso criasse um sistema para dar publicidade aos gastos - a decisão da ministra foi confirmada pelo plenário do STF, por 8 votos a 2
- os repasses foram liberados posteriormente
- o Supremo discute, no entanto, se essa modalidade de liberação de recursos é constitucional
Congresso tenta solução
Para tentar resolver o impasse jurídico sobre o orçamento secreto, Câmara e Senado apresentaram em conjunto uma proposta.
- o projeto estabelece percentuais específicos das emendas para as cúpulas do Senado e da Câmara
- reserva parte das emendas para o presidente e o relator da Comissão Mista de Orçamento (CMO)
- prevê que o restante das emendas será distribuído entre os partidos, de acordo com o tamanho das bancadas
Um ofício foi encaminhado mais cedo ao STF para informar aos ministros sobre a proposta, mas, ao início da sessão, Rosa Weber afirmou que essa informação não prejudica o andamento do julgamento.
Com informações do G1

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